Mon dernier Adieu, Galliano

March 6, 2011

Antes do desfile da Christian Dior de Outono Inverno 2011 iniciar na mais respeitada semana de moda do mundo, na tarde deste sábado em Paris, Sidney Toledano, presidente da Christian Dior Couture, apareceu no palco para fazer um longo discurso em francês sobre os valores que a marca e seu fundador representaram por mais de seis décadas. Sem mencionar o nome de John Galliano, designer da casa por 14 anos, Toledano afirmou que os valores da House of Dior seriam mantidos pelo “coração da Dior, que bate sem ser ouvido… composto pelos seus times e estúdios, suas costureiras e artesões”.

As cores eram ricas, as texturas exuberantes, e o tema da boemia amplificou-se em um casaco de veludo com mangas de brocado e gola e punhos de pele de raposa drapeados sobre um colete de cashmere e uma blusa longa de musseline, com botas que alcançam a alura dos joelhos. Como a musa de um artista que acabou de deixar a cama, vestiu um top, um casaco maravilhoso, algum sapato – nada mais. Galliano sempre teve a habilidade de provocar essas fantasias em quem assistia seus shows.

Dior orquestrou uma dedicatória cortês, com aqueles artesãos e costureiras que Toledano elogiou em seu discurso reunidos na passarela enquanto a platéia batia palmas e chorava. Independente do que acontecer no futuro, aqui, pelo menos, eles estavam dando o último adeus. O único precedente para esse momento foi a denúncia no pós-guerra de Coco Chanel como Nazicollaboratrice. Seu exilo do mundo da moda durou nove anos.

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Before the Autumn Winter 2011 ready-to-wear Christian Dior show begin at the most awaited of the fashion weeks, this Saturday afternoon, Dior CEO  appeared onstage to make a lengthy speech in French about the values that —both the man and the business he founded—has represented for more than six decades.  Without once mentioning Galliano by name, Toledano went on to assert that they would continue to be upheld by “the heart of the House of Dior, which beats unseen… made up of its teams and studios, of its seamstresses and craftsmen.”

Colors were rich, textures were lush, and there was a layered louche-ness that amplified the bohemian theme: One black velour coat with brocade sleeves and red fox collar and cuffs was draped over a cashmere waistcoat and a long mousseline blouse, with those knee boots. Like an artist’s muse had roused herself from his bed, thrown on a top, a gorgeous coat, some shoes—and left it at that. Galliano has always had a keen ability to provoke such fantasias in his audience.

Dior orchestrated a gracious envoi, with those seamstresses and craftsmen that Toledano eulogized in his speech gathered onstage while the crowd cheered and wept. Whatever happens next, here, at least, they were waving the last wave. The only precedent for this situation is Coco Chanel’s postwar denunciation as a Nazicollaboratrice. Her exile from the fashion world lasted nine years.

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